Texto: Teco Caliendo
Fotos: João Mantovani
CAMARO
Ao acompanhar o irmão mais velho Alexandre a uma arrancada em Curitiba, o caçula da família Kayayan, Adriano, ficou encantado com a competição. Como não parava de pensar na corrida e queria ajudar a equipe, ligou para o brother e pediu para que ele achasse algum Chevy Camaro à venda.
Alê, que venera o modelo esportivo da Chevy, não vacilou: arrematou um Camaro de segunda geração (ano 1973), amarelo, que estava sendo vendido no Rio de Janeiro.
O carro chegou a Sampa e foi direto para a oficina Beto Street V8 para ser pintado de prata. Com o carro, vieram várias peças de performance e um kit de nitro da NX (Nitrous Express), para honrar o nome da família: "Como usaríamos o 73 para rebocar o meu 68 para a pista, não poderia ser original. Tinha que ter a marca dos Kayayan!", explica o piloto de Hot Rod.
Beto abriu o motor V8 5.7 para montar os presentes: parafusos de mancais e bielas ARP, bronzinas Clevite, pistões forjados TRW, kit de comando Competiton Cams (comando, tuchos, vareta, balancins roletados) e bielas Summit Racing. Carburador quadrijet de 700 cfm mecânico (montado em coletor Torquer II com placa da nitro NX), regulador e bomba de combustível são Holley.
Como o "tiro" de nitro é de 150 cv, acionado por microswitch no final do curso do pedal do acelerador, a transmissão original - um câmbio automático de três marchas TH-350 - foi reforçada com Transkit (kit completo de performance) e alavanca Mega Shifter, da B&M Racing. O diferencial é um 3,90:1 (encurtado), Richmond, com blocante Powertrax e 100% de bloqueio.
Para manter as câmaras de combustão "acesas" devido à alta pressão gerada pelo supercomburente, a ignição foi reforçada com distribuidor billet, módulo 6 AL e cabos da MSD.
Na primeira prova em que o Camaro - que fora concebido como suporte de pista, rebocando o carro de Alê - participou, Adriano decidiu testá-lo. Alê levou "sem querer" um par de rodas aro 15" montadas com pneus MH Dot (riscados, porém com composto similar ao dos slicks).
O irmão caçula nem piscou: sacou as rodas de alumínio billet Boyds Five Star de aro 17" da traseira, e montou os grudentos. Correu na secretaria da prova e se inscreveu na Estruturada Import. Voltou para pista, sentou no Camaro, alinhou na water box, fritou os MH, apontou no farol e...
CAMARO SS
Camaro SS de Alexandre Kayayan virou atração nas provas de arrancada do Paranaense. Toda vez que o piloto alinha na reta do AIC, a multidão pára: chegou a hora de mais um recorde desmoronar, com direito a empinadas incríveis de 1700 kg de puro american muscle. Pela brilhante campanha na temporada 2005, Alê é chamado de "Aniquilador" pela galera que acompanha de perto as arrancadas.
O Chevy que tinha tudo do bom e do melhor quando retornou às pistas, no ano passado (depois de cinco anos sendo preparado) recebeu mais equipamentos de performance e "tração" a cada etapa. Além dos componentes, Kayayan - que montava, acertava e acelerava o SS sozinho - se preocupou apenas com a pilotagem e recebe ajuda do preparador Roberto Vieira Moreno, o "Beto" da Beto Street V8.
Os temporais chegaram aos poucos. No início, com a adoção de um segundo estágio de nitro com 350 cv.. O tiro é controlado por um módulo MSD que libera o gás 1,4 segundo após a largada. Essa "injeção de ânimo" foi suficiente para baixar meio segundo no tempo total (9,8 para 9,3 segundos).
Como a tração ficou comprometida, o passo seguinte foi trocar os pneus slick Mickey Thompson de 10,5" de largura pelos Hoosier de 14" com composto mais macio e aderente - menos dois décimos de segundo no tempo de pista. A "tração fatal" também fez surgir um problema: o conversor do câmbio TH-400 não suportava mais a combinação de torque descomunal com tração e teve de ser trocado por uma peça mais resitente do mesmo fabricante, a gringa Moser Engineering.
Com o conversor em ordem, o Aniquilador e recém-formado piloto NHRA para dragsters (no fechamento desta edição, Alê estava nos States fazendo o curso de pilotagem) apavorou novamente: entrou nos oito segundos, cravando...
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