Texto: Vítor Marques
Fotos: Ricardo Kruppa
Reza a lenda que Carrol Shelby, ex-piloto de carros de corrida na década de 50, tinha a mania de guardar um bloquinho e uma caneta ao lado da cama. Vez ou outra ele acordava durante a noite e rabiscava algumas de suas idéias no papel. Foi a maneira que ele encontrou para não ser traído pela falta de memória. Um dia, ao acordar, percebeu que as mal traçadas linhas formavam uma palavra: Cobra, o nome que iria batizar o seu próprio carro esportivo e se tornar sinônimo de velocidade.
Acredite-se ou não nesta história, o nome Cobra virou uma lenda no meio automotivo, um mito, associado a carros de alta velocidade, que unia as belas carrocerias inglesas ao potente motor americano V8 "big-block" - o AC Cobra 427 original vinha de fábrica com nada menos que 425 cv de potência. O impacto do Cobra foi tão grande para a época a ponto de influenciar montadoras como a Chrysler, que mais tarde criaria o Dodge Viper, bem mais conhecido pela moçada de hoje. Pois é moçada, o Cobra é o "pai do Viper". Sabiam disso?
A réplica do Cobra Mark III que aparece nesta reportagtem é fruto de mais de um ano de trabalho do preparador de motores Gilson Alves Santana, proprietário da Kiwi and Power Snake Car, de Vinhedo (SP), oficina especializada em restauração e preparação de carros.
Desde os 15 anos Gilson fuça motores de carro. Hoje, aos 30, está craque em preparação. E sobre essa réplica Gilson entende. Foi ele quem a comprou ainda na fibra, caçou peça por peça, e cuidou do ajuste fino do motor. Há quatro meses vendeu a cria a um empresário da mesma cidade, cujo nome prefere manter no anonimato.
O primeiro modelo Cobra, ainda com motor de 4.2 litros, data de 1962. O fascínio pela insígnia Cobra se manteve ao longo de quatro décadas, tanto é que proliferaram empresas especializadas em fabricar réplicas do esportivo. No Brasil, no começo da década de 80, uma delas se tornou bastante famosa, a Glaspac.
As réplicas feitas em fibra pipocam no Brasil por dois motivos: o Cobra original é dificílimo de achar por aí. Algumas fontes da Car Stereo Tuning dizem que não há sequer 10 modelos no país, nas mãos de abastados colecionadores. Há até quem afirme que não existe nenhum deles na terra do samba e do futebol.
A segunda razão, uma conseqüência da primeira, é o alto preço de um Cobra original. Se alguém quisesse botar as mãos na raridade, desembolsaria perto de R$ 1 milhão. Ao passo que uma réplica, pronta para acelerar nas ruas, sai por no máximo R$ 75 mil, dependendo da preparação do motor, que encarece muito o custo.
Leia a reportagem completa na edição de janeiro da Car Stereo Tuning.