Há pouco menos de sete meses, ainda no auge da crise econômica mundial, Paulo Sergio Kakinoff tomou o caminho inverso do que muitos brasileiros sonham fazer. O jovem executivo, de 35 anos, deixou a Alemanha, onde ocupava um cargo de importância na matriz da Volkswagen, para retornar ao Brasil. À frente, estava uma missão nada simples: resgatar o prestígio da marca Audi, uma das bandeiras do grupo VW, no Brasil. Com o fim da produção do A3 nacional, no fim de 2006, a montadora das quatro argolas afundou em tempos difíceis. Muitas lojas pelo País fecharam as portas e as vendas, antes consistentes, minguaram.
Foi diante desse cenário caótico que Paulo Kakinoff assumiu a presidência da Audi, em março deste ano – cargo normalmente ocupado por estrangeiros. E após apenas sete meses, o executivo de carreira meteórica acaba de se consagrar publicamente. Com um plano ousado de lançar um novo modelo da marca a cada 45 dias, Kakinoff atraiu a atenção da indústria. E acaba de ser eleito "Executivo do Ano", pela tradicional premiação anual da revista Auto Esporte.
Mais que isso, na cerimônia de anúncio dos premiados, Kakinoff ainda ergueu outros três troféus para a Audi. Primeiro, o melhor motor acima de 2.0 litros, com o bloco 3.0 litros V6 Compressor, que equipa o sedã grande de luxo A6. Na sequência, o executivo recebeu os prêmios de melhor utilitário e carro premium de 2009, com o Q5 e o cupê A5, respectivamente. Sem dúvida, um momento especial para um executivo brasileiro e de fazer inveja a muitos profissionais da indústria automobilística nacional e mundial.
"Antigamente, eu costumava comprar revistas de carros e ficar maravilhado olhando os modelos nas fotos. Hoje, posso fazer isso ao vivo e ver de perto o trabalho que os engenheiros estão desenvolvendo. Lógico que a questão da importância do cargo atual dá uma sensação de conquista. Mas é o tipo de trabalho que mais me dá prazer", valoriza Paulo Sérgio Kakinoff.
O que representa para você ser reconhecido publicamente por jornalistas como o melhor executivo de 2009 da indústria automobilística brasileira?
Kakinoff – Falar desse prêmio é difícil. É uma honraria mesmo. Sabe aquela coisa de você não esperar e a homenagem vir de várias pessoas sem ter sequer uma lista fechada de indicados? As pessoas simplesmente escreveram meu nome. E me escolheram entre muitos outros profissionais bacanas da indústria brasileira. Então, esse prêmio tem um significado para lá de especial para mim.
O posto de Executivo do Ano gera uma pressão maior por resultados?
Kakinoff – Toda hora que eu olhar para o troféu vou me perguntar se estou à altura. É preciso desenvolver um trabalho que faça jus ao título. De fato, o prêmio imprime um nível de expectativa elevado. Mas será o maior prazer do mundo, uma motivação adicional trabalhar e corresponder a isso. É o nível do resultado que esperamos atingir. E vamos continuar trabalhando forte.
Você acredita estar no melhor momento da sua trajetória profissional?
Kakinoff – Não sei se é o melhor, mas sem dúvida é o mais prazeroso. Sinto-me até um pouco desconfortável em dizer isso, porque tenho muito carinho pelos trabalhos que desenvolvi no passado, especialmente na época da Volkswagen. Mas o prazer que sinto hoje, à frente da Audi, nunca vivenciei antes em toda a minha vida profissional. Seja pela conjuntura, pelo momento da marca ou pelos carros. Uma coisa que talvez tenha menos relevância neste momento, mas que conta muito, é o fato de que sou apaixonado pelos modelos da Audi. Quando a montadora está para lançar alguma novidade, fico facilmente debruçado horas a fio na campanha, discutindo o que vamos fazer e conhecendo e estudando cada veículo.
O que você acha que foi determinante para a conquista dos quatro prêmios?
Kakinoff – A Audi está num momento excepcional. A marca conquistou esse ano a liderança na Europa pela primeira vez em sua história. Trata-se do mercado mais competitivo e tradicional do segmento premium do mundo. Os próprios produtos da marca estão em um momento maravilhoso. É difícil ler uma avaliação técnica do Q5 em que o jornalista não tenha concluído que o modelo é de fato um carrão. Eu sou particularmente fã do A5. Para mim, é o modelo mais bonito da Audi e o que mais sinto prazer em dirigir. Tudo bem que é um carro de nicho, um cupê de duas portas. Mas inegavelmente o A5 tem um design marcante, talvez o mais belo da história da marca. Acho que, além de incríveis, os prêmios foram legítimos.
Qual dos troféus da Audi erguidos por você foi o mais importante?
Kakinoff – Sem dúvida, o do Q5. Foi o primeiro lançamento que fiz no País nessa nova fase, após ter assumido a filial brasileira. Do ponto de vista profissional, era o que eu mais queria. É o reconhecimento de que o carro é muito bacana e que foi bem apresentado, é um veículo interessante no mercado. Então, por ser o primeiro projeto, era o prêmio que eu mais desejava e foi muito importante particularmente para mim. Mas os demais também foram tão valiosos quanto. Saímos da cerimônia com a sensação de que realmente essa foi uma noite da Audi. E isso, para nós, foi um presentão.

O resultado surpreendente da premiação, com quatro triunfos, muda alguma coisa para 2010?
Kakinoff – O que obviamente muda é que os prêmios conquistados nos colocam lá em cima. E isso põe mais ‘pilha’ para acelerarmos. Imagina a expectativa daqui para frente, independentemente de ganhar ou não mais prêmios no próximo ano? Sair daqui com quatro troféus, depois desse reconhecimento todo, a lupa aumenta absurdamente em cima de nós e do que vínhamos fazendo. Cria-se uma expectativa muito maior sobre o que será feito a partir de agora. Mas para o ano que vem teremos muitas novidades. Desde junho passado estamos lançando um modelo novo a cada 45 dias. E na virada deste mês teremos uma sequência, com S3, TTS, R8 V10 e o RS6, que fizemos uma pré-apresentação recente. E por aí vai. Seguiremos nesse ritmo até maio de 2010.