Error processing SSI file

Error processing SSI file


 Philipp Schiemer31/10/2008 

 Vice-presidente de Vendas da Mercedes-Benz
Texto: Carina Mazarotto
Fotos: Malagrine Estúdio

Depois de conquistar as ruas de 37 países, o pequeno smart fortwo chegará ao Brasil em março de 2009, com duas revendas em São Paulo. O carrinho é quase uma febre mundial. Desde 1998, quando foi lançado, mais de um milhão de unidades foram produzidas. Primeiro, ele surgiu na Europa, depois foi para a Ásia e, neste ano, também chegou ao país dos carrões, os Estados Unidos, onde já faz muito sucesso. No ano que vem, será a vez de Brasil e China.

Tudo começou na década de 1970, quando os criadores de veículos da Mercedes-Benz começaram a esboçar como seria 'o carro do futuro'. Sim, a idéia foi um automóvel supercompacto. Anos depois, Nicolas G. Hayek, o inventor do relógio Swatch, convenceu a Mercedes de que seria viável criar um veículo pequeno para as grandes cidades. Assim surgiu a Micro-Compact Car AG, joint-venture fabricante do minicarro, com sede na Suíça. O smart fortwo – a marca é escrita com letras minúsculas – começou a ser produzido em 1997 e, em 1998, foi colocado à venda na Alemanha. Neste mesmo ano, a marca smart se tornou subsidiária de capital fechado da Daimler-Benz, agora Daimler AG.

O anúncio oficial da chegada do smart ao País foi feito nesta semana, durante coletiva de imprensa da Mercedes-Benz, no Salão do Automóvel de São Paulo. Mas já que para falar de smart é preciso 'pensar e agir diferente', como dita a filosofia da marca, a Mercedes resolveu apresentá-lo à imprensa especializada nesta quinta-feira (30) em um local diferenciado. Nada de auditórios, sala de reuniões, prédio comercial ou cadeiras enfileiradas. Mas sim aos banquinhos e sofás espalhados no intimista espaço Micasa, loja de decoração de luxo dos Jardins, em São Paulo. Foi neste ambiente, descontraído, que conversamos com o vice-presidente de Vendas da Mercedes-Benz, Philipp Schiemer. Antes de assumir o cargo no Brasil, o executivo também foi vice-presidente de Marketing e Vendas da smart.

Qual o maior desafio de lançar o smart fortwo no Brasil?
Philipp Schiemer - O maior desafio é lançar uma nova marca. É entrar em um território novo, desconhecido. Este com certeza é o maior desafio. A smart tem tradição na Europa e em outros países, mas na América do Sul, em geral, o ambiente é diferente. Precisamos encontrar nosso público-alvo e assim traçar nossa estratégia de marketing.

Vocês esperam encontrar um novo público aqui?
PS - Estamos acostumados com o público que compra Mercedes. Por isso, para nós, tudo é novidade. Até os lugares dos eventos serão diferentes. Se estivéssemos apresentando um carro da Mercedes à imprensa, por exemplo, talvez fizéssemos o evento no MUBE (Museu Brasileiro da Escultura). Para o smart, escolhemos aqui. É uma experiência totalmente nova.

Entendemos que, em tempos de crise, fica difícil estabelecer os preços do smart. Mas o consumidor pode mesmo esperar a faixa de preço entre R$ 55 mil e R$ 60 mil?
PS - Realmente, nós precisamos estabelecer uma faixa cambial aceitável. Eu diria que o ideal é ter a cotação do dólar em R$ 2, mas também não podemos esquecer o euro. Uma margem ideal para a cotação em euro seria R$ 2,70, mas isso não quer dizer que se a moeda européia custar R$ 2,60 ou R$ 2,80 teremos um preço diferente do smart. É preciso apenas estabelecer limites. Se tivermos uma cotação em R$ 3,50, por exemplo, aí sim será necessário reavaliar as condições de preço.

Ainda assim, R$ 55 mil é um preço salgado para o Brasil. E muitos podem resistir à idéia de comprar, por este valor, um carro de dois lugares e não um de cinco. Como conquistar este consumidor?
PS - Certamente o comprador do smart faz parte de um público com poder de compra elevado. Não é um carro barato. Mas, ao mesmo tempo, ele tem valores exclusivos, que você não encontra em outros carros. Ele tem um contra-valor. Por isso é preciso escolher muito bem o público-alvo. E também existe um fenômeno muito interessante nisso tudo: as pessoas olham para o smart e começam a se perguntar 'Será que preciso de carros grandes?', 'Será que, para ir ao trabalho, no dia-a-dia, eu realmente preciso de um carro maior?'.

Como em outros países, o smart pode provocar uma mudança de comportamento no Brasil?
PS - Bom, o clima para aceitar as mudanças já existe. Você deve saber como é a situação do trânsito de São Paulo hoje. O smart será mais uma facilidade. E cada facilidade criada é um alívio para as pessoas. Sem contar que o carro é muito simpático. Acaba até com mau-humor (risos). Se a pessoa acorda mal-humorada de manhã, ela vai entrar no smart para ir ao trabalho sentindo-se melhor.

Portanto, São Paulo é o foco. E o restante do Brasil?
PS - São Paulo é onde tudo acontece. Mas há outras grandes cidades, como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, que também estamos analisando. Precisamos aprender em São Paulo, conhecer o mercado e depois expandir nossa atuação.

Quando isso irá acontecer?
PS - Não é uma questão de tempo e sim de aceitação de mercado. Se o negócio faz sucesso em São Paulo, a chance de dar certo em outros locais é muito grande.

Em 2009, o smart chega ao Brasil e à China. A expansão aos países emergentes, agora em desenvolvimento, já fazia parte da filosofia da marca desde o início?
SP - Sim, certamente. O primeiro passo foi consolidar a marca na Europa, depois na Ásia. Neste ano, a smart chegou a um terceiro estágio, que foi sua chegada aos Estados Unidos. O que não foi fácil, afinal o mercado norte-americano sempre priorizou os carros espaçosos, os carrões. Mas com certeza o smart é sucesso absoluto por lá. O outro desafio da marca foi chegar à América do Sul e, para isso, o Brasil é o carro-chefe, afinal é o País mais desenvolvido.

O smart logo chegará aos vizinhos da América Latina?
PS - Tendo sucesso em São Paulo, vamos expandir nossa atuação a outros Estados. O mesmo vai acontecer com outros países. Se tivermos uma boa resposta de mercado no Brasil, vamos analisar outros mercados, como o Chile, por exemplo.

Quais os próximos planos da smart no Brasil?
PS - Primeiramente, expandir a marca de uma maneira saudável. Em 2010, o smart também terá motor elétrico em outros países. Talvez em 2011 ou 2012 ele possa ser uma nova possibilidade no mercado nacional.

O sr. acredita que os carros elétricos seriam viáveis por aqui? E o smart flex?
PS - É possível sim. Claro, o Brasil precisa de infra-estrutura para receber carros elétricos. Mas por quê não? Sobre o motor flex, nós já estamos analisando. Como disse, é preciso primeiramente avaliar a aceitação de nosso produto no mercado e depois estabelecer novos desafios. Por enquanto, consideramos que a motorização 1.0 a gasolina, com consumo estimado de 15 km/l na cidade e 24 km/l na estrada, é ideal para as necessidades do público brasileiro.

Pessoalmente, o que representa este novo desafio para o sr.?
PS - É uma grande emoção. Esta filosofia smart nos leva a pensar diferente também em nosso trabalho. Passamos a repensar nossas atitudes e buscar idéias que já foram esquecidas, o que também é uma responsabilidade muito grande. Estou muito feliz.


 Mais Entrevistas
Error processing SSI file