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 Francisco Longo14/04/2008 

 Importador oficial das marcas Ferrari e Maserati
Texto: Rodrigo Leite
Fotos: Divulgação

Com 43 anos, Francisco Longo é hoje o representante oficial das marcas Ferrari e Maserati no Brasil e responsável pela venda anual de cerca de 60 "sonhos automotivos", em um mercado de valores acima dos R$ 550 mil reais. Mas nem sempre foi assim. "Chico" Longo, como é chamado pelos amigos, começou cedo, aos 15 anos, revendendo veículos seminovos. Em pouco tempo virou concessionário BMW, e ingressou no mercado de alto luxo. Longo começou a vender Ferrari e Maserati e, com o crescimento das vendas destas marcas, passou a se dedicar apenas a elas, como representante oficial. O paulista, nascido na zona Leste da cidade, trabalha há 28 anos com automóveis, com uma paixão definida pelo próprio como "indescritível". O gosto por automóveis é demonstrado nas pistas. Ele competiu na Mil Milhas Brasileiras de 2007, com um Ferrari F430, ao lado de pilotos de renome e pretende continuar nas competições, isso se a agenda apertada dele deixar...

Nesta entrevista exclusiva, "Chico Longo" apresenta um pouco deste mercado de veículos de alto luxo restrito, como são seus clientes, as particularidades de se vender carros que custam, pelo menos, meio milhão de reais, seu gosto por competições e por vender máquinas que ultrapassam os 300 km/h.

Carsale - Como é vender um mito?
Francisco Longo - Na maioria dos casos, o cliente já vem "pré-definido", já com o interesse de comprar um produto como Ferrari ou Maserati. Em alguns casos, a gente seduz o cliente, para trocar a marca do carro que ele já tem há algum tempo, para usar a nossa marca, entende? É uma coisa fascinante, é como se estivéssemos realizando um sonho. Afinal, na verdade nós não vendemos automóveis, e sim realizamos sonhos.

Carsale - Como é lidar com clientes que buscam algo mais que exclusivo? Qual foi o caso mais diferenciado?
FL - Nós oferecemos o máximo de exclusividade para ele, um diferencial, um opcional. Um cliente quis comprar uma Maserati conversível, há alguns anos, e queria que ela fosse verde com capota branca. Aí, eu falei: "mas o senhor não vai revender esse carro nunca!". E ele me respondeu: "é meu gosto pessoal, é o que eu quero". Ele esperou oito meses para receber o carro, porque era totalmente fora de padrão e não tinha sido produzida ainda no mundo com essa configuração.

Carsale - Quem é o seu cliente?
FL - Hoje, é um profissional de sucesso, que fez dinheiro nos últimos 20 anos, de 45 a 55 anos de idade. A grande maioria é casada, mas há uma boa parcela solteira, bem sucedida, e que gosta de apreciar bons produtos.

Carsale - Como você vê esse mercado?
FL - É um mercado limitado, devido até à uma questão cultural. Existem muitos clientes que tem vontade de ter o carro, tem condições, mas não querem ostentar seu potencial financeiro. Não é um mercado que se enxerga um crescimento substancial, como saltar de 100 unidades para 300, por exemplo.

Carsale - Como administrar a concorrência Maserati e Ferrari?
FL - É distinto. São clientes distintos. A Ferrari, o "cara" (sic) compra pela paixão, e a Maserati o cara compra pelo prazer da marca, pelo prazer de usar o carro no dia-a-dia. São clientes distintos. Então, o cliente hoje tem uma Ferrari e compra uma Maserati, ou ele entra para comprar uma Maserati porque não tem o perfil do cliente Ferrari. O perfil do cliente Ferrari é o cara que tem o carro na garagem como quem tem um quadro raro, um cavalo de raça, uma obra de arte, e ele tem n outros carros. O perfil do cliente Maserati é o cara que busca um carro de alta exclusividade, mas para ele utilizar.

Carsale - O Brasil é o mercado mais forte para a Ferrari e Maserati, na América Latina?
FL - Sim, é o mais forte. Mais até que o México. Nós vendemos números muito superiores, em torno de 60 unidades, anuais, das duas marcas, enquanto o México vende talvez a metade, não tenho os números exatos, mas, na América Latina, o Brasil é o principal mercado.

Carsale - Passando para as competições, a Maserati Trofeo terá novos carros, com o lançamento do novo GranTurismo?
FL - Não, por enquanto não. Existe um projeto para 2009, para se apresentar um novo carro, e se isso ocorrer, com certeza iremos trazer esse carro para o Brasil também.

Carsale - Como foi para você competir na Mil Milhas Brasileiras?
FL - Foi fantástico! Eu nunca tinha competido nesta prova antes. Nunca tinha participado de uma prova longa, eu participei com dois pilotos, o Chico Serra, que é um piloto renomado no Brasil, e o filho dele, o Daniel Serra que está despontando no automobilismo nacional. Nós tínhamos um carro bom, mas nós tivemos a infelicidade de ter uma equipe que não nos deu apoio conforme a nossa necessidade. Nós tivemos um problema na sexta-feira, no abastecimento e a equipe só veio nos falar no meio da corrida, já no sábado. Mas foi uma coisa fascinante, foi muito prazerosa, tanto que, posteriormente, eu fiz o Mil Quilômetros de São Paulo, com a Maserati Light. Chegamos em segundo lugar. Então foi uma experiência muito prazerosa.

Carsale - Pretende continuar nas competições?
FL - Eu me afastei um pouco agora no primeiro semestre, devido aos projetos de lançamentos de carros, e estamos estruturando a equipe comercial. Mas tenho muita vontade de voltar. Tanto que, nesta semana, eu ia fazer uma corrida em Tarumã (autódromo de Tarumã, no Rio Grande do Sul), mas infelizmente minha agenda não me deixa, mas eu tenho muita vontade de voltar, talvez no segundo semestre eu volte a fazer algumas corridas.

Carsale - O que representa para você trabalhar com carros deste nível?
FL - Indescritível. Não tenho palavras. É uma coisa... É além do prazer de ter uma remuneração, de ter um salário, de ter uma evolução financeira. É uma coisa que eu faço com o coração. Que eu faço com paixão, como se eu tivesse vendido (um carro) para mim mesmo.


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