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 Marcos Munhoz25/10/2005 

 Diretor de Marketing e Vendas da General Motors do Brasil
Texto: Rafaela Borges
Fotos: divulgação

Marcos Munhoz, diretor de Marketing da GMB
O Carsale inicia este mês uma nova editoria de entrevistas. O objetivo é estabelecer ligação entre você leitor e a indústria automobilística. Nosso primeiro convidado é o diretor-geral de Marketing e Vendas da General Motors do Brasil, Marcos Munhoz. Bem humorado, ele conversou por cerca de uma hora com a repórter Rafaela Borges, durante o lançamento do novo Vectra, no início de outubro, em Brasília (DF).

À frente da diretoria de marketing da GMB, Marcos Munhoz persegue a liderança do mercado nacional, mas admite que este ano ela já está perdida. “Eu acho que o segundo lugar é possível”, disse o executivo, que falou também sobre as expectativas da empresa para 2006. Munhoz antecipou a informação de que a empresa pretende exportar o novo Vectra para a Europa. E adiantou que, no ano que vem, "o Brasil terá uma grande surpresa, com o lançamento de um Chevrolet completamente novo".

Marcos Munhoz nasceu no dia 13 de maio de 1954 em São Caetano do Sul (SP), cidade onde está baseada a GM do Brasil. Cursou matemática na USP e fez pós-graduação em Engenharia Industrial no Instituto Mauá de Tecnologia. Iniciou sua carreira na GMB em 1971, sendo transferido para os Estados Unidos em 1995, de onde regressou dois anos depois. Assumiu seu cargo atual em 2002. O executivo afirma que não tem um hobby. No momento, está lendo “Samuel Klein e as Casas Bahia: uma trajetória de sucesso”, a autobiografia do proprietário da rede de lojas Casas Bahia. “Foi indicado por um amigo, também diretor de marketing”, conta.

Marcos Munhoz, diretor de Marketing da GMB
A estratégia de pré-venda iniciada no novo Vectra será adotada para outros modelos da Chevrolet?
Munhoz – Ainda não decidimos, mas devido ao sucesso do Vectra (todas as unidades disponíveis foram vendidas em 35 dias), é provável que a GM utilize a estratégia com outro veículo. Entretanto, para que funcione, nós temos de usá-la um carro com uma marca forte, como aconteceu com o Vectra. Corsa e S-10, por exemplo, são marcas fortes.

O novo Vectra será exportado?
Munhoz – Sim. E nós temos três grupos de clientes. O primeiro, para o qual a exportação é garantida, é o dos nossos vizinhos Colômbia, Venezuela, Equador, Chile, Argentina, Uruguai. Os carros começam a ser embarcados para estes países entre março e abril do ano que vem. O segundo grupo é a região da África. E eu tenho uma grande convicção de que aqueles clientes também vão comprar o Vectra. O terceiro, que é um pouco mais difícil, é a Europa.

Já existe negociação para exportação do Vectra para a Europa?
Munhoz – Ainda não, mas eles gostaram muito do carro. Nossos colegas de lá andaram no Vectra e aprovaram. Então, isso é uma coisa que talvez aconteça. Não agora, mas no futuro. Lá, na Europa, o carro teria outro posicionamento e outro nome.

Munhoz e Rick Wagoner, presidente mundial da GM
Como a GM analisa o desempenho no mercado brasileiro de automóveis esse ano?
Munhoz - A GM achava que em 2005 o mercado brasileiro cresceria 5%. Graças a Deus, estávamos errados porque, provavelmente, vai crescer 10%. É um bom número, mas não vamos nos iludir, porque isso vai totalizar 1,7 milhões de unidades, que é muito menos do que os 2,1 milhões de carros que já se vendeu no Brasil. Portanto, o país ainda está correndo atrás do que fez no passado.

E em 2006?
Munhoz – Acredito que, devido ao crescimento de 10% esse ano, teremos alta de 5% nas vendas em 2006. A soma dos dois daria uma média de 8,5% no biênio. É um crescimento respeitável.

A GM fecha 2005 na liderança?
Munhoz – Não. Devido à falta de um modelo 1.0 Flex (o Celta Flexpower foi lançado em junho), nós tivemos um primeiro semestre que não foi bom e, por isso, ficamos distantes dos concorrentes. No último trimestre, estaremos muito bem posicionados e acho que vamos fazer um papel bonito. Entretanto, devido ao desempenho que tivemos no começo do ano, não vamos conseguir a liderança. O segundo lugar é possível.

Munhoz na comemoração aos 80 anos da GMB
Qual é a expectativa da GM para o mercado interno em 2006?
Munhoz – Não repetir o resultado do primeiro semestre de 2005, porque agora já estamos com todos os produtos prontos e não temos mais nenhuma desvantagem de mercado, como aconteceu este ano. Não existem mais desculpas para mim e minha equipe, e com certeza teremos um 2006 bem melhor do que 2005.

E o lucro? Depois de cinco anos de perdas, a GMB vai obter rentabilidade em 2005?
Munhoz – Também não. Nós honramos os compromissos de exportação com todos os nossos clientes. Isso fez com que a situação financeira não fosse o que imaginávamos (o câmbio baixo gerou prejuízos nas exportações). A situação daqui para frente é preocupante porque nós não estamos conseguindo renovar esses compromissos. Perdemos negócios com países andinos para a Coréia (do Sul). E, se o câmbio continuar como está, vamos perder também uma parte de nossos negócios com o México, que é um mercado muito interessante para nós. No ano que vem, com certeza os embarques vão cair.

Como reverter os prejuízos gerados pelo impacto do câmbio na exportação?
Munhoz – Com o realinhamento de preços, que já fizemos e, por isso, perdemos negócios com os países andinos. É um assunto complicado, porque se você exagerar nos preços, perde muito mercado, e se for conservador, perde dinheiro. É preciso encontrar um equilíbrio entre esses dois fatores, e é isso que estamos tentando fazer.

A queda das exportações é uma tendência só da GM ou da indústria automobilística nacional?
Munhoz – Não sei como estão os contratos da Fiat, da Volkswagen e da Ford. Mas nossa situação é muito parecida com a deles. Eu duvido que o que a concorrência está fazendo seja muito diferente dos nossos negócios. A minha percepção é que os embarques de toda a indústria automobilística cairão em 2006.

Os carros populares representam 70% das vendas da GM do Brasil. Eles são rentáveis?
Munhoz – Não muito, mas também não geram prejuízo. E são muito importantes para a empresa, porque nós temos opções de carros para clientes variados. Queremos conquistar o mesmo consumidor e, se fizermos tudo direitinho, se não deixarmos eles saírem da marca, venderemos entre 18 e 20 carros para uma mesma pessoa ao longo de sua vida. Ele (o cliente) começa jovem, comprando um Celta, e vai progredindo, até chegar a um Vectra ou Omega.

Qual é o segmento mais lucrativo para uma empresa de automóveis?
Munhoz – A divisão é assim: o segmento de carros populares é mais difícil. Já a parte de comerciais (Montana, S-10 e Blazer) é razoável. No caso dos carros que agregam mais luxo, como Astra e Vectra, a situação fica mais confortável.

Qual é a importância da GM do Brasil nas operações da matriz?
Munhoz – A corporação decidiu fazer cinco centros de engenharia no mundo e tivemos a honra de ser escolhidos como um deles. A GM do Brasil primeiro desenvolveu o Celta, depois o Meriva e, em seguida, o Vectra. Assim, ganhamos a reputação de engenheiros capazes de fazer carros para o mundo. Isso vai abrir para a nossa engenharia contratos de vendas de serviços, que é a maior honra que um país pode ter.

Qual a participação da GMB na receita da corporação?
Munhoz – Fica entre 3% e 3,5%. Mas acreditamos que nossa participação no faturamento crescerá nos próximos 20 ou 30 anos.

E no bloco LAAM (América Latina, África e Oriente Médio), qual é a importância da subsidiária brasileira?
Munhoz – O Brasil representa 70% do total do volume dos países da LAAM, portanto nós somos a máquina que impulsiona o bloco. Fornecemos carros e somos os engenheiros responsáveis pelos veículos comercializados todos os países da LAAM.

No momento, há planos para fabricação de um jipinho para concorrer com o Ford EcoSport?
Munhoz – Hoje nós temos a S-10 a gasolina, cabine dupla, pelo preço do EcoSport. Talvez, o apelo do jipe da Ford esteja acabando. Com nossa picape, quilo por quilo, metro por metro, temos muito mais carro pelo mesmo preço, e o consumidor está percebendo isso.

A recém lançada nova geração da S-10 veio com poucas mudanças. Haverá maiores modificações no futuro?
Munhoz – Foram poucas mudanças estéticas, mas muitas mecânicas, com a introdução do novo motor eletrônico. O cliente da S-10 é muito sensível, sabe exatamente como o carro funciona e, por isso, obtivemos o resultado de setembro (a picape da Chevrolet liderou o ranking de vendas daquele mês, o primeiro depois do lançamento da terceira geração). Quanto ao visual, ele não muda nem em 2006 e nem em 2007, porque o veículo conta com uma relação custo/benefício muito legal e acreditamos que ainda tenha fôlego.

O Meriva terá alguma mudança para enfrentar a chegada do Fiat Idea (lançado em setembro)?
Munhoz – Não. Poderíamos fazer várias coisas, mas não vamos. Isso porque eu particularmente acredito que a maior parte dos Idea comercializados serão 1.4, e por isso vão competir com o Honda Fit 1.4. Nós atacaremos outra faixa de consumidores com o motor 1.8, que o Fit não tem. O Idea tem, mas eu acredito que não vá vender tanto.

Qual é a novidade a ser produzida em Gravataí?
Munhoz – Eu não posso revelar mas, no final de 2006, quando ele for lançado, vocês terão uma grande surpresa. Será um novo carro, e não uma nova versão.


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